Automação na Aviação – Pilotos que não pilotam

010180131206-seguranca-vooA capacidade dos pilotos para fazer os aviões voarem por controlo manual está num limite negativo crítico porque muitas vezes confiam demais nos sistemas automatizados de voo.

A conclusão estarrecedora é de um relatório sobre segurança aérea, encomendado pela Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA) e que recentemente divulgado pela imprensa.

Os sistemas automatizados de voo em questão abrangem toda a gama de auxílios computorizados de voo, incluindo o piloto automático e o controle automático de velocidade e de aterragem.

Numa entrevista um Ex-piloto da Lufthansa diz que os pilotos não são devidamente treinados para os novos desafios e cita: “Há excesso de automatização na aviação moderna

Abaixo deixamos um excerto de uma entrevista (Fonte: oGlobo):

BERLIM — A tragédia com o avião da Germanwings é vista pelos especialistas como um enigma. Segundo Jörg Handwerg, especialista em segurança de voo da Associação dos Pilotos Alemães “Cockpit”, há indícios que o excesso de automatização da aviação moderna poderia ter contribuído.

Na sua opinião, o que causou a queda do avião da Germanwings?

Ainda é cedo para a definição da causa do acidente. Eu diria que para um avião cair nunca há uma causa definida mas uma série de causas que contribuem para o desastre. No caso do Airbus, avião que já pilotei e conheço bem, há uma determinada filosofia de dar o comando do voo ao computador e não ao piloto. Isso eu considero um ponto fraco. Normalmente não há problema, pois o Airbus é um dos aviões mais seguros, um dos mais usados no tráfego aéreo. Mas quando acontece um problema, o piloto tem mais dificuldade em corrigir o erro. A filosofia do Airbus parte do pressuposto de que a máquina precisa controlar o fator de risco, que seria o homem.

Como piloto da Lufthansa, já teve problema com o computador de bordo?

Eu nunca tive problema porque conheço bem a filosofia da Airbus. Muitas vezes, porém, os pilotos não são devidamente treinados para os novos desafios.

Como piloto da Lufthansa, já teve problema com o computador de bordo?

Eu nunca tive problema porque conheço bem a filosofia da Airbus. Muitas vezes, porém, os pilotos não são devidamente treinados para os novos desafios.

O senhor vê paralelo entre o desastre da Germanwings e o caso do Airbus da Lufthansa, que perdeu rapidamente altitude entre Bilbao e Munique?

A perda de altitude foi causada pelo congelamento dos sensores que transmitiram ao computador uma informação errada. O resultado foi uma redução drástica da altitude, sem que os pilotos conseguissem corrigir o erro. Mas o comandante de voo era muito experiente e conseguiu desligar o sistema, corrigir a altitude e aterrissar em Munique.

Por que os pilotos da Germanwings não tentaram um pouso de emergência no aeroporto de uma cidade próxima?

As investigações realizadas até agora indicam que os pilotos podem ter desmaiado em consequência da despressurização da cabine. Depois da pane de novembro último, a empresa Airbus distribuiu uma informação para os seus clientes do mundo inteiro, orientando como reagir em um caso semelhante. Mas não sabemos ainda o que aconteceu a bordo do Airbus da Germanwings. Pode ter sido um incêndio ou que gases venenosos impediram os pilotos de reagir.

Como vê a declaração da Germanwings, que descarta defeito técnico como causa da queda?

Não podemos descartar nenhuma causa, as investigações apenas começaram. Por isso, não descarto uma causa técnica.

Escreva um texto sobre as eventuais consequências deste excesso de confiança de alguns pilotos ao confiarem na totalidade nos equipamentos computorizados de voo. Que cenários/situações poderão prejudicar e/ou interferir sobre estes computadores?

Cotação: 20% da média da Unidade em estudo.

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Manuel Bernardo