CEAC Fórum Março – A ansiedade

CEAC Fórum: Todas as pessoas já se sentiram ansiosas. A ansiedade é um sentimento que experimentamos de vez em quando, perante situações em que nos sentimos ameaçados ou stressados. Por exemplo, perante o pensamento de ir fazer um exame, ir ao hospital ou a uma entrevista de emprego, é comum sentirmo-nos tensos, preocupados, nervosos, termos medo de fazer “figura de parvos” ou duvidarmos da nossa capacidade para sermos bem sucedidos. Estas preocupações podem afectar o nosso sono, apetite e capacidade de concentração. Mas, se tudo correr bem, a ansiedade desaparece. Este tipo de ansiedade até pode ser positiva e útil.
No entanto, se os sentimentos de ansiedade nos sobrecarregarem, se o nível de ansiedade for elevado durante longos períodos de tempo, o nosso desempenho pode ser afectado e torna-se mais difícil lidar com a nossa vida quotidiana. Podemos sentir que estamos a ficar sem controlo, que vamos morrer ou enlouquecer.
A ansiedade tem efeitos no nosso corpo e na nossa mente. Do ponto de vista físico, podemos experienciar tensão muscular, dor de cabeça, batimento cardíaco acelerado, náuseas e vómitos, vontade de ir à casa de banho, dificuldade em dormir ou sensação de “borboletas no estômago”. Do ponto de vista psicológico, a ansiedade pode tornar-nos mais receosos, alerta, nervosos, irritáveis, incapazes de relaxar e de nos concentrarmos.
A ansiedade pode afectar o nosso pensamento e as nossas relações com os outros. Se temos medo que aconteça o pior, podemos ficar muito pessimistas. Por exemplo, se um amigo se atrasa para um jantar, podemos começar a ficar preocupados se ele terá tido um acidente ou se não quer a nossa companhia, quando afinal esse amigo pode apenas ter perdido o comboio.
As pessoas respondem à ansiedade de forma diferente, por isso, quando a ansiedade invade as suas vidas, podem experienciar ataques de pânico sem razão aparente, desenvolver uma fobia de sair de casa, isolar-se da sua família e amigos e ter pensamentos obsessivos ou comportamentos compulsivos, como estar constantemente a lavar as mãos.
Enfrentar a ansiedade é o primeiro passo para quebrar o ciclo de medo e insegurança.”
Artigo retirado do site da Ordem dos Psicólogos.
Reflita sobre o assunto e se desejar recorra a exemplos de situações concretas para ilustrar a sua opinião.
Esta atividade de Fórum permite debater e abordar novas ideias, visa o desenvolvimento e a discussão de temas atuais, relacionados com os temas propostos nas Unidades, no âmbito da formação.
Sabia que a ansiedade em doses moderadas pode ser benéfica e até necessária?
Participe e desenvolva, no seu ponto de vista o tema exposto a debate. Se desejar, apresente exemplos representativos do que pretende ilustrar. Pode ainda, comentar as participações dos colegas.
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Tenho pessoas próximas, da família, que sofrem com a ansiedade, a ponto de ter se tornado uma depressão. Acredito que é preciso mais informação, mais conhecimento por parte das pessoas que convivem com quem tem ansiedade. A falta de conhecimento faz com que aconteçam preconceitos, e confundam uma pessoas que sofre de ansiedade com alguém preguiçoso, que não gosta de trabalhar, e usa a ansiedade como desculpa. Percebo falta de paciência de quem tem parentes que sofrem de ansiedade. Precisamos ter mais amor, e entender o que acontece, o que se passa com quem sofre com isso.
A tendência que vemos é a ansiedade surgir em pessoas cada vez mais jovens. O que seria uma doença de adultos e velhos, vemos despertar em adolescentes e crianças. Ou será que sempre surgiam na fase da adolescência e criança, mas as pessoas antigamente achavam que era algo normal da fase?
EL8884X
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Penso que é uma situação que sempre existiu mas que tem vindo a piorar como consequência do estilo de vida que levamos.Continuação de um bom estudo!
A ansiedade é uma emoção normal do ser humano, comum ao enfrentar-se algum problema no trabalho, antes de uma prova ou diante de decisões difíceis do dia a dia. No entanto, a ansiedade excessiva pode tornar-se uma doença, ou melhor, um distúrbio de ansiedade.
Pessoas que sofrem de distúrbios de ansiedade sentem uma preocupação e medo extremos em situações simples da rotina, além de alguns sintomas físicos, o que atrapalha suas atividades quotidianas, já que eles são difíceis de controlar.
Por sorte, os distúrbios de ansiedade podem ser tratados.
Sintomas psicológicos da ansiedade
Constante tensão ou nervosismo
Sensação de que algo ruim vai acontecer
Problemas de concentração
Medo constante
Descontrole sobre os pensamentos, principalmente dificuldade em esquecer o objeto de tensão
Preocupação exagerada em comparação com a realidade
Problemas para dormir
Irritabilidade
Agitação dos braços e pernas.
Sintomas físicos da ansiedade
Dor ou aperto no peito e aumento das batidas do coração
Respiração ofegante ou falta de ar
Aumento do suor
Tremores nas mãos ou outras partes do corpo
Sensação de fraqueza ou cansaço
Boca seca
Mãos e pés frios ou suados
Náusea
Tensão muscular
Dor de barriga ou diarreia.
mariana pereira psicologia
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
a ansiedade é um transtorno emocional que pode ser provocado por razões , medo de enfrentar certas ocasiões. uma inquietação , um exagero de comportamento por vezes ou quase sempre exagerado. daí varias consequências como medo, inquietação, dores musculares, problemas de concentração, dificuldade em dormir.
ansiedade é um aspeto de medo, medo de tudo o que possa vir. ansiedade é basicamente uma resposta do corpo vinda do sistema nervoso autónomo que age independentemente do nosso pensamento racional como um reflexo . tem vários sintomas tais como: • Acelerar os batimentos cardíacos e contrair os vasos sanguíneos, para levar o sangue mais rapidamente
•Dilatar os brônquios, para aumentar a respiração e o consumo de oxigênio
•Diminuir a motilidade do intestino, para guardar energia para outras ações
•Dilatar as pupilas, para melhorar a visão mesmo em pouca luz
•Aumentar a liberação da glicose no sangue, para dar mais energia às células.
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
A ansiedade
Milhões de portugueses sofrem de ansiedade. Qualquer um de nós, no quotidiano e nas experiências que cada pessoa vivencia, uns mais outros menos, já passou por períodos de ansiedade, mais ou menos duradouros, quando lidamos com situações exigentes no dia-a-dia.
Nas circunstâncias de ansiedade o coração bate mais depressa, a respiração torna-se ofegante, pressão no peito, dificuldade em respirar, tensão muscular, suores frios, insónias, dores físicas etc…
A ansiedade é caracterizada por um sentimento de tensão, preocupação e medo, real ou imaginário. A ansiedade é um estado mental e emocional que sendo normal é útil ao ser humano, mas quando sentida sem uma razão aparente, ou de uma forma excessiva e continuada, torna-se num problema para a saúde, melhor dizendo torna-se numa doença psicológica, enquanto perturbação psicológica é extremamente incapacitante e limitadora.
Por isso, é de extrema importância perceber quando a ansiedade é útil ou prejudicial para a saúde. Deve-se ter consciência de que se pode recorrer a técnicas que podem ajudar em momentos de ansiedade, tais como relaxamento, respiração etc. Também o conhecimento das suas causas, se genética, ambiente, mentalidade etc. , bem como a sua gravidade, para um pedido de ajuda a especialistas, com a finalidade de haver um tratamento adequado a cada caso especifico.
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
A ansiedade é muito comum nos tempos actuais.
O stress do dia a dia, o desemprego a pressão no trabalho exigido pela entidade patronal, etc, são situações que despoletam a ansiedade.
Por vezes a ansiedade é benéfica, como no caso de se estar à espera de um exame ou de uma proposta de trabalho, sendo por isso esta emoção ser tão importante para crescimento pessoal.
Mas por vezes, a ansiedade pode-se tornar excessiva, dificultando a comunicação com os outros e o bem estar do próprio, podendo levar a depressões graves e compulsivas, devido ao stress e agitação do dia a dia, as pessoas mais próximas das depressivas não se apercebem dos sintomas destas, para as puder ajudar. O facto é que a maioria a das pessoas não têm conhecimentos necessários para puder analisar os sintomas dessas pessoas, falo disto por experiência própria, situações familiares que não foram bem percebidas e entendidas e levaram a comportamentos excessivos e até mesmo à morte, infelizmente.
EL9082Z
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
Ao longo da vida vivemos experiências negativas que se tornam traumáticas e perturbadoras no nosso bem estar. São estas experiências que vão condicionar a forma como nos sentimos e agimos e no futuro serão a origem dos estados de ansiedade. A ansiedade enquanto perturbação psicológica torna-se incapacitante e limitadora. É difícil e é necessário muita força de vontade para sair ou melhorar nosso bem estar. Hoje em dia já há alternativas aos medicamentos, que atuam apenas nos sintomas. Há que procurar ajuda e não ficar parados. A acupunctura e a mesoteratia é um bom exemplo.
Ansiedade é uma emoçao normal de ser humano. Mas quando excessiva pode se tornar uma doença. Pessoas que sofrem de ansiedade sentem uma preocupaçao e medo extremos em situaçoes simples da rotina.Por sorte esta é uma doença que pode ser tratada. Os pensamentos negativos que os ansiosos têm sobre si mesmo podem ser gatilhos para a depressao. Quanto mais ansiedade abala a vida de uma pessoa, maior a chance de ficar deprimida.Além dos medicamentos convencionais, existem algumas alternativas naturais que podem nos ajudar a conrtolar a ansiedade.Essas alternativas podem ser: Actividades Fisicas, alguns alimentos tais como a banana, o chocolate, vitaminaB6, magnesio, chas. A maioria dos chas possuem substancias que funcionam como sedativos suaves e podem ajudar no controle da ansiedade diaria.(chá de camomila, melissa e a valeriana).
Temos que ser mais confiante em nós proprios para lidar com a ansiedade do dia a dia.
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
A ansiedade é uma reação natural que todas as pessoas experienciam em algum momento da sua vida. Em situações de incerteza ou perigo, o corpo e o cérbero desencadeiam um mecanismo de luta, fuga ou bloqueio que está associado á ansiedade. Isto é, já falámos de um mecanismo de adaptação ao meio. Muitas pessoas sentem-na quando enfrentam um problema no trabalho ou momentos antes de fazer um teste ou tomar um decisão importante. Esta ansiedade pode ser tão intensa que interfere com o normal funcionamento da pessoa. Em geral, a emoção que está na base da ansiedade é o medo e este pode ser muito bloqueador e paralisante. A ansiedade transforma-se numa perturbação psicológica quando é tão intensa, frequente e duradoura que interfere com a capacidade das pessoas para lidar com situações normais do seu quotidiano a nível pessoal, familiar, social e profissional e satisfazer as suas necessidades psicológicas e fisiológicas.
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
A ansiedade pode revelar se de várias maneiras. Os níveis de ansiedade sobem, muitas vezes, quando as nossas expectativas são defraudadas. Na minha opinião, a ansiedade manifesta se, muitas vezes, quando inconscientemente começamos a exteriorizar o que não está bem em nós mesmos. Conscientemente podemos achar que estamos bem e felizes, mas, na maioria das vezes, assuntos mal resolvidos, traumas de infância, ou perdas podem ir se exteriorizando com o passar do tempo e manifestando se em forma de medos, instabilidade, e até mesmo, sintomas físicos, taquicardia, hiperventilacao, etc.
A importância do acompanhamento psicológico, do desenvolvimento do diálogo podem ajudar a minimizar os sintomas e na resolução do problema. A ansiedade pode afectar o sono, a fome, pode levar a depressao, a desmotivação. É importante falar sobre o assunto e tentar ajudar ao máximo.
A ansiedade é uma emoção caracterizada por um estado desagradável de agitação interior, muitas vezes acompanhada de comportamento nervoso, como o de se embalar de trás para a frente. É o sentimento desagradável de terror por eventos antecipados, tal como a sensação de morte iminente. Ansiedade não é o mesmo que medo. O medo é uma resposta a uma ameaça real ou percebida, enquanto a ansiedade é a expectativa de uma futura ameaça. A ansiedade é um sentimento de inquietação e preocupação, geralmente generalizado e sem foco, como uma reacção exagerada a uma situação que é apenas subjectivamente vista como ameaçadora. É muitas vezes acompanhada por tensão muscular, inquietação, fadiga e problemas de concentração. A ansiedade pode ser apropriada, mas quando experimentada regularmente, o indivíduo pode sofrer de transtorno de ansiedade.
Causas
Esses dois aspectos, tanto a ansiedade quanto o medo, não surgem na vida da pessoa por uma escolha. Acredita-se que vivências interpessoais e problemas na primeira infância possam ser importantes causas desses sintomas. Além disso, existem causas biológicas, como anormalidades químicas no cérebro ou distúrbios hormonais.
Consequências
Em alguns casos, a ansiedade é capaz de intensificar o que o indivíduo está sentindo, deixando de apresentar sintomas únicos e passando a aumentar aqueles naturalmente produzidos pelo sistema nervoso. Ou seja: se a pessoa sente medo, ela sentirá muito medo; se a pessoa se sente triste, ela se sentirá muito triste; as vezes sentimentos comuns como gostar de algo ou alguém podem ter um grande impacto sobre portadores de ansiedade, e querer algo pode tornar-se uma necessidade com o passar do tempo.
A ansiedade em níveis muito altos, ou quando apresentada com a timidez ou depressão, impede que a pessoa desenvolva seu potencial intelectual. O aprendizado é bloqueado e isso interfere não só no aprendizado da educação tradicional, mas na inteligência social. O indivíduo fica sem saber como se portar em ocasiões sociais ou no trabalho, o que pode levar a estagnação na carreira.
Tratamento
O tratamento é feito com psicoterapia e medicamentos, dentre os quais ansiolíticos e antidepressivos. O tratamento é iniciado com ansiolíticos como, por exemplo, os benzodiazepínicos. Logo após a estabilização do paciente, o médico pode prescrever um antidepressivo para o controle da ansiedade. Outra classe de medicamentos também utilizada são a dos beta-bloqueadores. É sempre importante que o paciente consulte um médico, pois esses medicamentos são normalmente controlados.
A terapia cognitivo-comportamental (TCC, REBT), mindfulness, meditação e hipnose são formas de psicoterapia que trazem resultados através de mudanças endógenas, transformando o indivíduo, sua personalidade e quadro psicológico.
Há evidências crescentes de pesquisa de que, em algumas pessoas, o envolvimento em qualquer religião está associado de forma transversal a uma melhor saúde mental. Segundo o The Journal of Alternative and Complementary Medicine, a eficácia da recitação do rosário para ansiedade resulta de um estudo médico específico.
Site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ansiedade
Obrigada pela sua participação no fórum deste mês. Continuação de um bom estudo!
Ansiedade,
Trata-se de um estado emocional que envolve todas as idades, com intensidades diferentes para cada individuo independentemente da sua faixa etária. No meu ponto de vista uma das fases mais críticas do ser humano é na adolescência. Discute-se a ansiedade na adolescência a partir de três pontos: a ansiedade ontológica, a ansiedade normal e a ansiedade patológica. Poderíamos estudar a correlação entre ansiedade e liberdade e entre ansiedade e liberdade e valores na adolescência, para propor possíveis horizontes para facilitar ao adolescente de nossos tempos a lida com essas questões:
“Neste mundo globalizado, a competitividade, o consumo, a confusão dos espíritos constituem os baluartes do presente estado de coisas. A competitividade comanda nossas formas de ação. O consumo comanda nossa forma de inação. E a confusão dos espíritos impede o nosso entendimento do mundo, do país, do lugar, da sociedade e de cada um de nós mesmos”.
Milton Santos
São muitos os caminhos possíveis quando pretendemos refletir sobre a ansiedade na adolescência, pois essa temática tem diversas possibilidades de abordagem, já que se trata de um tema amplo e muito relevante e crítico. De maneira geral, mais do que em qualquer outra época da vida, na adolescência a ansiedade torna-se um tema delicado. Outro tema relevante e estreitamente ligado à ansiedade que também aparece vigorosamente na consciência do adolescente é o tema dos valores.
Especialmente nos dias de hoje, esta questão toma contornos ainda mais importantes e mais graves para os adolescentes podemos refletir um pouco sobre a importância dos valores na gênese e na manutenção da ansiedade na adolescência. Para o adolescente de hoje é muito mais difícil eleger seus valores, principalmente porque ele se depara com uma sociedade que ainda não sabe como lidar com a liberdade.
Para que eu posso passar de uma forma explícita este tema, retirei algumas partes que eu acho relevantes, publicadas pela “Revista da abordagem Gestáltica”, seguem os fragmentos dessa publicação:
“A Ansiedade e a Liberdade
Começo falando da ansiedade, e já delimito de onde falo: minha compreensão da ansiedade neste texto está ancorada na Psicologia Fenomenológico-existencial, com especial influência dos trabalhos de Rollo May, completados pela compreensão gestáltica. E, nesse nosso começo de conversa sobre a ansiedade, já coloco o ponto básico para a visão fenomenológico -existencial desse tema: a ansiedade é inerente ao homem, ou, dizendo de outro modo, ela é ontológica. Não dá para imaginar o ser humano sem ansiedade. Como ser-para-a-morte, ao homem ameaça constantemente o não-ser, de modo que a ansiedade está inevitavelmente posta diante dele por toda a sua existência. Desde sempre e para sempre. Com esse entendimento da ansiedade, já a estamos diferenciando do medo, uma diferença que não é apenas de grau: a ansiedade tem uma densidade que o medo não tem. Ou, dizendo de outro jeito, a ansiedade é central e ontológica, o medo é periférico e circunstancial. Mas há um outro fator com relação à ansiedade que é extremamente importante para o nosso tema de hoje: ansiedade e liberdade estão sempre tão próximas que Kierkegaard descreveu a ansiedade como “a vertigem da liberdade” (citado por May, 1987, p. 225). O que será que Kierkegaard quis dizer com isso? Por que a ansiedade é “a vertigem da liberdade”? Porque liberdade implica em escolha, em possibilidade de mudança. Uma pessoa sem liberdade também não teria ansiedade. Uma vida de mesmices, muito, muito segura, é uma vida sem ansiedade e sem liberdade. Por seu turno, uma vida em que há liberdade, quer dizer, em que há possibilidades de escolhas, é uma vida em contato com riscos, dentre eles, o maior deles, o risco de não -ser. Na verdade, a cada vez que escolhemos alguma coisa importante, a cada vez que temos um ganho, escolhemos também uma perda. A cada ser que afirmamos, afirmamos também um não -ser. A diferença é que, nas escolhas importantes da vida, a escolha pelo ser é uma aposta, ao passo em que a escolha pelo não ser é uma certeza. Um exemplo simples: a cada passo que dou em uma caminhada, perco a paisagem anterior, perco o ponto de vista anterior. Um passo à frente, e a paisagem é outra. E não adianta eu querer voltar um passo atrás: ainda que eu consiga voltar para a mesma paisagem, meu olhar já é diferente, o fenômeno observado, a paisagem anterior, já é outro. Um exemplo mais complicado: termino, ou não, um casamento? Se eu disser à minha companheira ou ao meu companheiro “acabou, não quero mais!”, a relação nunca mais será a mesma (pode até vir a ser melhor, mas nunca mais será a mesma). Mesmo que eu resolva querer mais…
Então, posso afirmar que uma vida sem ansiedade é impossível. Mas ainda é pouco para entendermos o conceito de ansiedade: há outra observação que precisamos ter em mente nessa conversa: há ansiedade normal e ansiedade patológica. A ansiedade normal é essa de que falei, a inevitável diante da possibilidade de não-ser. É essa ansiedade que usamos para nos proteger ao atravessar uma rua, para escolher um traje para uma reunião importante, para explorar os nossos valores existenciais. Há também o uma ansiedade patológica, que, grosso modo, pode ser definida como aquela ansiedade desproporcional à ameaça presente. Ela aparece principalmente de duas formas: na impossibilidade das escolhas e na impulsividade das escolhas. A primeira pode ter um exemplo extremo naquela pessoa tão deprimida que sequer é capaz de escolher sair da cama pela manhã; a segunda pode ser exemplificada, também extremamente, por aquela pessoa que busca as drogas na esperança de se sentir mais viva.
A Liberdade e os Valores
Continuo minhas reflexões com um ligeiro correr de olhos pela história da humanidade, de modo a verificarmos que o nascimento da sociedade capitalista trouxe uma grande mudança no posicionamento humano diante do mundo e da vida: antes do capitalismo havia uma certa predeterminação à espera do homem quando ele nascesse, ou seja, nas comunidades anteriores ao capitalismo a pessoa já nascia com um lugar social determinado e com um destino, de certa forma, já traçado, de modo que, por exemplo, quem nascesse camponês, camponês morreria. A partir do advento do capitalismo, o ser humano já não está mais inserido de maneira natural e imutável numa situação social. Pelo menos em tese, o ser humano já pode escolher seu lugar no mundo, já pode escolher seus valores, o que acabou por enfraquecer uma ética baseada nos costumes, na repetição, de geração a geração, dos valores e comportamentos. Dessa maneira, a ‘liberdade’, enquanto categoria ética, acaba por viver um crescimento perante os outros valores, substituindo, de certa forma, a antiga busca da felicidade como valor supremo. Se antes a liberdade sequer era pensada como valor, agora a felicidade depende da liberdade (Heller, 1985, p. 7).
É óbvio que essa construção não se faz de uma hora para outra, de uma geração para outra; são necessárias gerações e mais gerações para que se consolide uma mudança deste porte nos valores humanos. Mas não há dúvidas de que hoje, se o desejo humano ainda é pela felicidade, essa felicidade tem que vir através da liberdade. Chegamos a tal ponto, que o ideal de ser livre e ser feliz acabou por evoluir, nos dias de hoje, para ser livre é ser feliz. Assim, está adubado o terreno para que floresça a ansiedade, especialmente a ansiedade patológica. Trata-se de um paradoxo. A ansiedade ontológica fundamenta-se na liberdade e é propulsora de desenvolvimento e de crescimento, de cuidado e de bons suportes existenciais. No entanto, se não há suficiente amadurecimento, a ansiedade que se faz presente diante da liberdade não é a ansiedade ontológica, mas a ansiedade patológica. E esse é um dos mais sérios problemas para o adolescente ocidental nesse início de século XXI: sua liberdade é muito maior que sua maturidade, o que causa ansiedade, muita ansiedade. Em outros termos: o adolescente de hoje é chamado a fazer escolhas cedo demais, quando ainda não está suficientemente amadurecido para dar conta de tão importante empreitada. Dessa forma, o que deveria ser liberdade transforma-se em desamparo, ou seja, em liberdade sem continência.
O problema não está na maturidade do adolescente, mas na liberdade que lhe é concedida de maneira atabalhoada e precoce, sem que se dê tempo para que ele conquiste sua capacidade de escolha a pouco e pouco, par a par com o amadurecimento. O amadurecimento humano é coisa que se dá passo a passo, que tem fundamento no desenvolvimento psicológico, nas relações sociais e no corpo – vale dizer: no vivido. Há um ritmo de amadurecimento humano que praticamente não pode ser acelerado, a não ser sob duras penas posteriores. O amadurecimento, que é a passagem da preponderância do suporte ambiental para a preponderância do auto-suporte, se dá ao longo do tempo. De igual modo acontece com a assimilação dos valores recebidos da família e da sociedade: a transformação desses valores heterônomos em valores autônomos também se dá ao longo de um amplo e necessário transcurso de tempo. Quando se exige o apressamento dessa travessia, abrem-se as portas para a ansiedade. É óbvio que não é apenas a passagem do tempo que produz o amadurecimento: tão importante quanto o tempo, são o suporte ambiental e o suporte pessoal que a criança e, posteriormente, o jovem terão para consolidar seu desenvolvimento. O apoio e o exemplo de familiares e/ou pessoas afetivamente importantes é fator imprescindível. A colocação clara, por parte das figuras de autoridade, de limites e de responsabilidades afinados com o estágio de desenvolvimento facilita o amadurecimento da criança e do adolescente. Por seu turno, o excesso ou a falta extremada de limites inibem o desenvolvimento. Assim, sofrem do mesmo mal de imaturidade aquele jovem que é impedido de experimentar ampliações em suas fronteiras e aquele jovem de quem nada lhe é exigido, tudo lhe é perdoado. O jovem sem liberdade tem seu desenvolvimento tão prejudicado quanto o jovem com liberdade ampla demais, e os dois, porque desamparados, são vítimas fáceis da ansiedade patológica. Este é um dos mais importantes problemas que está posto para o adolescente de hoje, essa é uma das mais importantes causas de sua ansiedade: um desamparo que acarreta, paradoxalmente, uma exigência exagerada perante os jovens. Eles têm que fazer escolhas e tomar atitudes para as quais ainda não estão suficientemente amadurecidos. Eles não têm o necessário suporte ambiental que lhes propicie fazer escolhas com a necessária tranquilidade dentro do necessário tempo. Escolher, o ato supremo de liberdade, é capacidade cuja maestria construímos com paciência, ao longo do tempo e apoiados por um adequado suporte ambiental. O mundo pós-moderno, o mundo globalizado ocidental, rouba dos jovens a possibilidade da paciência, da construção de si com tempo necessário e suficiente. Nossa cultura impõe rapidez e agilidade, privilegia excessivamente a novidade, quer a mudança sem a estabilidade que a sustente, a competitividade no lugar da competição, insistentemente confunde desejo com necessidade, quer reduzir a história ao futuro, provoca a ilusão de que se pode ganhar sem perder, a vã ilusão de que não são necessários sacrifícios para que se tenha felicidade. Mais que tudo isso, a ideologia vigente no mundo ocidental globalizado pretende fazer crer que a independência é possível, que a liberdade absoluta é meta legítima, que somente o mais próximo e imediato é problema meu. Comprovado esse último aspeto, recente pesquisa realizada nos EUA constatou que “apesar da constante cobertura da imprensa desde a invasão do Iraque, em 2003, 63% dos entrevistados (jovens de 18 a 24 anos) não foram capazes de localizá-lo no mapa, e 75% não conseguiram encontrar Israel ou o Irã. Nove em cada dez também foram incapazes de achar o Afeganistão no mapa asiático; 75% não acharam a Indonésia e 70% não localizaram a Coréia do Norte” (FSP, 03/05/2006, p. A 16).
O tempo hoje é o tempo do já. É aqui e agora. Liberdade sem limites e sem responsabilidades. Vida sem frustrações. Amor líquido. Tolerância passional. Saúde só corporal. Responsabilidade social só com os iguais. Honestidade relativa. Beleza narcísica. Conhecimento especializadíssimo. Solidariedade estratificada. Urgência. Fast food, fast existence, fast death. Dizendo de outra maneira: vivemos em um mundo em que a liberdade se tornou de tal maneira o valor fundamental que é quase como se ela fosse o único valor pelo qual as pessoas devessem guiar suas vidas. Isso faz com que a liberdade se transforme em desamparo. Além disso, muito facilmente a liberdade é confundida com açodamento. E passa-se a exigir do jovem que ele saiba o que não pode ainda saber, passa-se a exigir do jovem que ele faça o que ainda não pode fazer sozinho, passa-se a exigir do jovem que ele escolha o que ainda não pode escolher sozinho. Assim, a liberdade passa de valor básico e legítimo para valor único e soberano, melhor diria, tirano. Como a comida na bulimia: há comida demais ou de menos, mas não há alimentação sustentadora ou mesmo prazerosa. A maneira que me parece a melhor para lidar com esses excessos da liberdade é trazê-la para seu devido lugar, um valor dentre valores, ou seja, desinflacionar a liberdade de modo a que ela possa ser vivida de modo pleno e enriquecedor. A ansiedade do jovem de nossos tempos pode ser significativamente diminuída se o ajudarmos a discutir valores e a encontrar os seus próprios valores no seu próprio tempo.
Os Valores e a Ansiedade
Procurando no dicionário Houaiss, encontrei 24 acepções da palavra ‘valor’, a maioria delas ligadas à economia. A acepção importante para nós aqui é aquela que define que valor é, “no pensamento moderno de tendência relativista, cada um dos preceitos ou princípios igualmente passíveis de guiar a ação humana, na suposição da existência de uma pluralidade incontornável de padrões éticos e da ausência de um Bem absoluto ou universalmente válido.” Se é fato que hoje não temos mais, no mundo ocidental, um valor absoluto ou universalmente válido, também é fato que há alguns valores que alcançam quase que uma unanimidade em nossa cultura, ao menos como ideais: o amor, a honestidade, a justiça, a solidariedade, a beleza, a saúde, a responsabilidade social, a paz, a tolerância e o conhecimento são alguns exemplos de valores que norteiam as escolhas da maioria das pessoas hoje em dia. A todos eles a liberdade permeia. Na ideologia globalizante, ela o faz de tal forma que corre o risco de se tornar um valor absoluto, diluindo todos os outros e gerando ansiedade, insuportável ansiedade, porque, se a liberdade é um rio, os outros valores são suas margens. Uma vez retiradas as margens, o rio se espalha e desaparece na areia, gerando uma ansiedade seca, matriz de violência e de desespero. A ansiedade que percebemos em muitos dos jovens de hoje tem, dentre outros, um fundamento bastante claro: grande parte dos valores que lhes são ensinadas (principalmente através de exemplos) não tem ressonância em seu íntimo. Aliar-se à ideologia dominante no mundo globalizado é, para a maioria dos jovens, quase como que cometer um ato de traição à própria sensibilidade, aos próprios sentimentos, à própria responsabilidade diante da existência. O jovem quer crescer, quer deixar sua marca na vida, quer conhecer sua importância, quer contribuir, mas depara-se com uma ideologia que lhe fecha as portas para esse tipo de desenvolvimento e lhe propõe a saída do prazer imediato, do consumo compulsivo e da liberdade sem limites, para não falar da ainda vigente “lei de Gerson”. Faz lembrar a fábula do Pinóquio. As orelhas de burro que começam a aparecer em Pinóquio quando ele se encontra com o lobo e o gato e é vendido ao circo representam a ansiedade que assola o jovem quando ele não busca a autonomia, a assimilação dos valores sociais de modo a que sejam modificados e incorporados como valores próprios, no seu devido tempo. Como bem lembra Dulce Critelli (2006), como pertence à nossa condição de humanidade, a consciência moral não é algo que se pode jogar fora e não depende da nossa vontade. Embora nos desviemos, ela sempre nos convoca e nos apanha em toda curva do caminho. Não se pode calar sua voz, no máximo é possível baixar seu volume. A ansiedade patológica é uma das maneiras de se baixar o volume da consciência moral. Ansioso, o jovem não pára para perguntar-se acerca do que considera um bem e do que considera um mal. Não questiona as regras que lhe são impostas principalmente pela comunicação social e pela publicidade, não questiona a coerência e a congruência de seus pais, de seus pares e de sua sociedade. Não se dá conta de quais valores orientam sua vida e suas escolhas. Escolhe compulsivamente, mais apoiado em desejos aprendidos que em desejos sentidos. Em vez de buscar ajustamentos criativos, perde-se em apressadas adaptações narcísicas. Acaba por pensar, sentir e agir de maneira desintegrada, não se apossando de seus pensamentos, desprezando seus sentimentos e agindo de maneira impulsiva, embora com boas intenções.”
Revista da abordagem Gestáltica – XII(2): 59-66, jul-dez, 2006.
Psicologia geral: EL8203U