CEAC Fórum de fevereiro – 5 Qualidades do Cuidador

CEAC Fórum: Caros alunos e alunas, Neste mês de fevereiro iremos falar sobre as qualidades de um cuidador.

Ser cuidador, embora traga muitas recompensas, é uma das tarefas mais difíceis e árduas no campo da saúde. Independente do tipo de cuidador, familiar ou profissional contratado, todos vivem sob uma carga emocional muito grande. Entre eles há os que têm alguma coisa especial que os move no tratamento dos pacientes e há aqueles que apenas o fazem pela remuneração. Invariavelmente todos são testados psicologicamente até ao limite.

Nem todas as pessoas são talhadas para serem um cuidador. Mas, uma vez dedicado a esta função, existem qualidades e características básicas que fazem a diferença.

Eis aqui 5 qualidades que consideramos essenciais para a excelência de cuidador.

 

EMPATIA

A empatia talvez seja a característica intrínseca mais importante de um cuidador. E como podemos definir empatia? O que é empatia?

Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria a outra pessoa. Naturalmente há graus diferentes de empatia. Alguns podem ser mais empáticos que outros. Algumas pessoas conseguem colocar-se totalmente no lugar do outro. Estes estão mais preparados a prover cuidados de excelência.

No exercício da empatia a dica é sempre perguntar a si próprio – como eu gostaria de ser tratado? como eu gostaria de receber os cuidados?

 

CONFIANÇA

Lembre-se de que uma pessoa precisa dos seus cuidados porque perdeu algum grau de independência. É possível que já não seja capaz de preparar as suas refeições, ou lavar-se sozinho, ou vestir-se ou ir ao WC de modo independente. Imagine os sentimentos de tristeza e frustração de alguém que precisa de ajuda até mesmo nas mais simples atividades do dia a dia?

É muito complicado perder a independência e mas é muito pior não encontrar alguém confiável para ajudar.

Idosos dependentes em especial, precisam de cuidadores que lhes transmitam confiança. Embora dependentes, ter alguém em quem confiar pode lhes fazer mais felizes minimizando o sofrimento..

 

PACIÊNCIA

De modo geral,os idosos precisam de apoio e ajuda, porque com o passar dos anos o seu corpo perde a mobilidade que costumava ter. Facto que pode ser agravado por problemas físicos que comprometem os movimentos, tornando-os mais difíceis, lentos e dolorosos.

Em certos casos, determinadas partes do corpo perdem a capacidade funcional devido a doenças como Parkinson, sequelas de AVC ou artrite. E no caso particular de pacientes com Alzheimer, também perdem algumas funções cognitivas, como perda de memória e de capacidade de processar informações.

Estas dificuldades motoras e cognitivas tornam os idosos mais lentos, e os cuidadores devem ter isso em consideração, dando-lhes um tempo maior nas atividades. Ou seja, paciência é a palavra chave.

É comum os cuidadores impacientes contribuírem para acelerar a perda da independência, ao executarem as tarefas pelo idoso. A sociedade moderna é apressada e gosta das coisas feitas a passos rápidos. Mas quando se trata de idosos, uma qualidade de excelência em cuidados está em aceitar o tempo deles.

A boa regra é permitir que o paciente faça as tarefas tanto quanto possível sozinho. Senão, estaremos a contribuir para acelerar a perda de capacidades físicas e consequente aumento da dependência. Além disso a pessoa idosa, pode sentir-se diminuída na sua auto estima, fator importante para a perceção da qualidade de vida.

 

Portanto, embora assistida por você, cuidador, dê ao paciente o tempo suficiente para realizar as suas atividades, não acelere.

Pacientes com Alzheimer podem repetir a mesma pergunta ou comentário várias vezes, num pequeno lapso de tempo. Exercite a sua paciência e use a sua empatia, coloque-se no lugar dele e lembre-se de que ele acredita que é a primeira vez que faz a pergunta. Responda com naturalidade como se efetivamente fosse a primeira vez.

Uma alternativa eficaz para lidar com esta situação é mudar o foco do paciente para outro assunto de interesse, algo do qual goste de falar ou ouvir, uma cena ou evento passado que traga boas sensações, ou um álbum de fotos antigas. Pode ocorrer que o redirecionamento demore um pouco, pois o paciente pode estar com a atenção fixa no assunto anterior. Novamente conduza-o com paciência,dê-lhe tempo.

Se o paciente está chateado e não cooperativo, dê-lhe tempo e espaço, desde que não envolva algum perigo de ferir alguém ou a ele mesmo. Espere uns 15 ou 20 minutos e retome o assunto de modo calmo e gentil. Se a fonte da frustração é uma atividade que ele rejeita e pode ser adiada – faça isso. Deixe para depois. Se for uma tarefa urgente, convença-o da impossibilidade de adiar.

 

AUTO CONTROLO

Como já foi dito, o trabalho de cuidar de pacientes com demência é muito difícil. Seja você cuidador familiar ou profissional haverá dias e momentos em que você se sentirá exausto e no limite de sua capacidade.

Você pode estar num dia mau, muito stressado ou de mau humor, no entanto o paciente pode estar num dia bom. Estas situações vão exigir de si muita força de vontade e auto controlo.

O cuidador precisa de ser forte o suficiente, mas quando sentir que está a ultrapassar os seus limites, também deve saber reconhecer que está a precisar de uma folga, deve pedir ajuda para recuperar suas forças.

 

FLEXIBILIDADE

Os Cuidadores têm que ser pessoas muito flexíveis. As coisas mudam a cada instante quando se presta cuidados, especialmente a idosos com demência.

Os Familiares podem ser chamados a casa repentinamente. A qualquer momento, pode surgir a necessidade de levar o paciente ao médico ou ao hospital, pois as condições de saúde podem se alterar sem aviso prévio e, no caso de idosos com demência, é frequente a ocorrência de alterações de humor e de comportamento.

Para ser cuidador é preciso estar preparado para se adaptar rápida, e constantemente, reorganizando as atividades em função dos acontecimentos.

 

CONCLUSÃO

Há outras qualidades e características importantes e desejáveis para um cuidador de excelência, mas acreditamos que estas são as 5 mais importantes .

Baseado no artigo original de Angil Tarach-Ritchey, publicado em Alzheimer’s Reading Room

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