_ Fórum de Abril

Conclusões:

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A relação entre “depressão” e “esgotamento”

A relação entre “depressão” e “esgotamento”, é que a depressão é uma doença que precisa de um tratamento adequado. É tida como perda do interesse ou prazer para realizar as atividades diárias e caracteriza-se pelo cansaço físico, falta de energia e motivação, sentimentos de culpa ou falta de esperança.

Esgotamento é um termo comum, não clínico para designar um estado de “cansaço extremo”, ansiedade, um  colapso nervoso, ou pânico, descreve a experiência de estourar sob pressão acentuada, uma exaustão física ou mental, lembrando por vezes, um estado físico e de humor semelhante ao verificado na depressão.

A designação “Esgotamento” pode ter origem num colapso mental ou ataque de pânico.

As causas de um Colapso Mental/Nervoso podem incluir:

Mágoa crónica e não-resolvida; problemas sociais, familiares, académicos, no trabalho, Stress social, Fome e pobreza, Insónia crónica ou outros transtornos do sono; uma doença séria de um familiar; morte de um familiar, divórcio, gravidez, deceção sentimental, carga muito alta de tarefas ao mesmo tempo, falta de compreensão e diálogo.

No entanto, problemas médicos ou pessoais capazes de disparar um colapso podem ser evitados com ajuda psicológica.

O súbito e agudo aparecimento, das seguintes doenças mentais pode ser considerado como colapso:

  • Depressão;
  • Transtorno bipolar;
  • Transtorno da ansiedade;
  • Psicose;
  • Dissociação;
  • Stress pós-traumático;
  • Stress severo.

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Quanto à depressão como patologia: O estado depressivo é mais do que um estado de humor “triste”, este estado surge devido a uma perturbação ou transtorno psiquiátrico que afeta indivíduos em qualquer idade.

Caracteriza-se pelo desinteresse, apatia e pela perda de prazer nas atividades diárias (anedonia), alterações cognitivas (diminuição da capacidade de raciocinar adequadamente, de se concentrar ou/e de tomar decisões), psicomotoras (lentidão, fadiga e sensação de fraqueza), alterações do sono (mais frequentemente insónia, podendo ocorrer também hipersonolência), alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite), redução do interesse sexual, retraimento social, ideação suicida e prejuízo funcional significativo (como faltar muito ao trabalho ou piorar o desempenho escolar).

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Ou seja, depressão não é tristeza.

O transtorno depressivo maior diferencia-se do humor “triste”, por se tratar de uma condição duradoura (a pessoa sente-se triste a maior parte do dia, quase todos os dias, pelo menos 2 semanas), de maior intensidade ou mesmo por uma tristeza de qualidade diferente da tristeza habitual, acompanhada de vários sintomas específicos e que trazem prejuízo à vida da pessoa.

Alguns dos sintomas da depressão são a insónia (muito comum), a dificuldade de se concentrar, irritabilidade e descuido da higiene pessoal. As pessoas que estão deprimidas podem sentir-se oprimidas e exaustas deixando completamente de participar em certas atividades quotidianas.

Podem deixar de interessar-se por assuntos relacionados com a família e amigos. Deixam de importar-se com as suas vidas. Perdem o sentido de futuro, deixam de ter prazer nas coisas que anteriormente lhe eram significativas. Os pacientes costumam aludir ao sentimento de que tudo lhes parece fútil, ou sem real importância. Acreditam que perderam, de forma irreversível, a capacidade de sentir alegria ou prazer na vida. A pessoa deixa de acreditar que consegue dar a volta à situação e por consequência deixa de fazer planos para o futuro.

Tudo lhes parece vazio e sem graça, o mundo é visto “sem cores”. Em crianças e adolescentes, sobretudo, o humor pode ser irritável, ou “rabugento”, ao invés de triste. O sentimento de culpa é muito vincado. Certos pacientes mostram-se antes “apáticos” do que tristes, referindo-se muitas vezes ao “sentimento da falta de sentimentos”. Constatam, por exemplo, já não se emocionarem com a chegada dos netos, ou com o sofrimento de um ente querido, e assim por diante.

Algumas pessoas deprimidas podem chegar a ter pensamentos de morte ou suicídio, esta parece-lhes ser uma solução para os seus problemas, mas na verdade não passa de um erro de raciocínio. Um conjunto de caminhos deturpados pela condição em que a pessoa se encontra.

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As causas da depressão são inúmeras e controversas. Acredita-se que a genética, alimentação, stress, estilo de vida, rejeição, problemas na escola e outros fatores estão relacionados com o surgimento ou agravamento da doença. Sabe-se hoje que a depressão é associada a um desequilíbrio em certas substâncias químicas no cérebro e os principais medicamentos antidepressivos têm por função principal agir no restabelecimento dos níveis normais destas substâncias, principalmente a serotonina.
depressÉ necessário mencionar ainda, que existem dois tipos de depressão: a depressão reativa, que responde a um facto doloroso como a perda de um familiar, um divórcio, demissão do trabalho ou qualquer outro trauma emocional, e a depressão endógena  que se deve a desordens biológicas e hormonais, que pode até ser hereditária.

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Algumas dicas úteis:

🙂

  • O exercício é tão poderoso como um antidepressivo, por isso é uma excelente ferramenta para apoiar o tratamento de uma depressão. Quando nos exercitamos, nosso corpo ativa a produção de endorfina e serotonina, hormonios do bem-estar, que ajudam a diminuir a ansiedade e elevar a autoestima. Pode praticar natação, correr, fazer ioga, pilates, etc.; as opções são infinitas e todas funcionam.

Enfrentar uma depressão a sós é muito difícil. Ligue para um/a amigo/a, desabafe, conte o que se passa e, principalmente, como se sente. Não está sozinho/a, milhões de pessoas no mundo sofrem de depressão e conseguem seguir adiante, no entanto, precisa de apoio.

Quando desabafamos e falamos abertamente do que acontece, nosso corpo segrega oxitocina, hormonio produzido pela hipófise, e que no cérebro se relaciona com a confiança e as relações pessoais. Evite fechar-se, desabafar e compartilhar é parte da solução.

  • O chocolate é um dos alimentos que também ajuda num estado de depressão, já que é rico em triptófano, um aminoácido que o corpo não produz e que intervém na produção de serotonina. Não é recomendável que coma uma barra de chocolate cada vez que se sentir deprimido, mas pode optar por comer um pouco durante alguma crise.
  • Procurar um hobby também pode ajudar. Certeza que existe alguma atividade que sempre quis fazer e sem dúvida este é o melhor momento. Jardinagem, costura, aulas de inglês e até de artesanato, podem ser muito úteis para melhorar seu estado de ânimo.

Além disso, estas atividades são ideais para conhecer novas pessoas, fazer amizades, ocupar a mente e parar os pensamentos negativos que advêm da depressão.

Quando ajudamos os outros ajudamo-nos a nós mesmos, por isso fazer um trabalho social é sempre uma excelente ideia para se sentir bem, e perceber que não somos os únicos que passamos por momentos difíceis.

Entender que todos precisam de ajuda, inclusive nós mesmos, é necessário e importante.

Pode aderir a uma fundação ou projeto social na comunidade por exemplo. Em pouco tempo, verá que o conceito que tinha de si próprio, melhorará e sentir-se-á duplamente agradecido/a.

  • A meditação é excelente para a introspeção, para se conectar consigo próprio, com as suas emoções, e ajuda a enfrentar e relacionar-se melhor com o mundo ao seu redor. São muitas as pessoas que apoiaram o seu tratamento na meditação.

Não esquecer que é recomendável procurar ajuda porque poderá ser uma depressão endógena.

Teoricamente a depressão reativa não deveria durar mais de seis meses, e quando passa este período de tempo é necessária um apoio ou  assessoria psicológica ou psiquiátrica, para encontrar ferramentas personalizadas e adequadas para superar a depressão.

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Estima-se que cerca de 15 a 20% da população mundial, em algum momento da vida, sofreu de depressão.

Este tema sugere ainda uma reflexão teórica acerca do estigma da depressão no fenómeno social da doença mental.

depressSobre o tratamento da depressão, é preciso articular as visões psicanalíticas com os temas sociais e ter em conta que a psiquiatria entende a depressão como um transtorno, a psicanálise por sua vez, compreende a depressão como um sintoma, inerente ao sujeito. Vários estudos indicam que o tratamento pela psiquiatria e outras abordagens terapêuticas, perece seguir determinada padronização. Todavia o tratamento psicanalítico privilegia a singularidade do sujeito, o caso a caso.

Este tema, defendem muitos autores, ainda vai constituir um diálogo fértil entre a psicanálise e a psiquiatria.

Os resultados de uma nova pesquisa reforçam que, excepto em casos crónicos da doença, a melhor forma de combater a depressão é aliar ou combinar doseadamente, remédios antidepressivos com sessões de terapia cognitiva, em comparação com tratamentos baseados unicamente em medicamentos. Segundo o estudo, o método combinado é até 30% mais eficaz do que o uso isolado do remédio.

CONHEÇA A PESQUISA:
Título original: Effect of Cognitive Therapy With Antidepressant Medications vs Antidepressants Alone on the Rate of Recovery in Major Depressive Disorder

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Dados importantes:

A Depressão será a doença mais comum do mundo em 2030, diz OMS

Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que, nos próximos 20 anos, a depressão deve se tornar a doença mais comum do mundo, afetando mais pessoas do que qualquer outro problema de saúde, incluindo cancro e doenças cardíacas.  Segundo a OMS, a depressão será também a doença que mais gerará custos económicos e sociais aos governos, devido aos gastos com tratamentos para a população e às perdas de produção.

Foi um bom Fórum.

🙂

Obrigada.

Boa continuação dos estudos!

Ana Rita