shutterstock_138807446Seja face a uma nova situação ou apenas para evitar uma situação que no futuro se avizinha negativa, frequentemente hesitamos em tomar uma decisão e , no limite, sentimo-nos presos. Como ser simultaneamente livre e exercer a nossa decisão em consciência?

«Qualquer decisão é tomada em função do que tenho agora (ou não tenho) e do que desejo alcançar. O que tenho agora é o resultado da minha vida até ao momento da tomada de decisão, logo, todas as minhas experiências positivas e negativas condicionam também as decisões que vou tomar», afirma Teresa Marta, coach.

A decisão (ou não decisão) é motivada a partir da história pessoal, das emocões e comportamentos e dos medos.

Decidir é um processo com um ponto de partida complexo, mas pode ser descomplicado:

Veja abaixo como:

Por um lado, características pessoais como uma baixa autoestima, autoconfiança, assertividade, inteligência emocional, social ou relacional; o receio de não ser entendido, o medo de perder o amor dos outros, da humilhação e de ser excluído e a auto-culpabilização. Por outro lado, também pesa o insucesso de decisões tomadas no passado. E pesa a culpabilização dos outros pelas decisões tomadas, uma família pouco flexível e pouco aberta à singularidade pessoal, ter perdido dinheiro ou pessoas devido a decisões tomadas, ter uma religião ou um credo que impõem regras rígidas no que respeita às decisões consideradas corretas e incorretas.
Sobretudo nas decisões que envolvam a nossa saúde ou a saúde de familiares próximos. Nas resoluções fundamentais sobre a vida dos nossos filhos, em situações de mudança profissional, nos casos de mudanças radicais de alimentação e em decisões relativas à mudança de país para trabalhar ou viver.
Se é que isso é possível, deveríamos decidir de forma solitária tudo o que diz respeito ao nosso propósito de vida. Os nossos sonhos, os nossos relacionamentos, a nossa espiritualidade, o nosso desenvolvimento pessoal e também a nossa vocação, que inclui a decisão sobre a nossa área de estudo.
É um tema polémico, já que a maioria dos pais e educadores consideram imprescindível que os filhos os façam para ajudar a decidir o seu futuro. No entanto, todos nascemos com a capacidade de decidir que via devemos seguir. Essa via é a que nos faz felizes. Mas os pais e os próprios alunos decidem em função de aspetos bem diferentes. Empregos com mais futuro, os mais bem pagos ou os mais considerados socialmente. Não se pode ser feliz a fazer o que não amamos. Esta é a sabedoria interior que todos temos ao nosso dispor para decidir e que tão pouco usamos.
Sim, é um excelente aliado para a tomada de decisões porque nos conecta com a nossa verdade interior e com o nosso real propósito. Liga-nos ao nosso verdadeiro desejo e ao que nos faz falta para sermos felizes
Porque fomos ensinados, desde sempre, a ouvir a razão, mais do que o coração. Fomos ensinados a seguir o que é certo em função do que a sociedade, o status, a família, os amigos, assim consideram. Este background confere a certificação das nossas decisões. Tudo o que está fora deste sistema é considerado errado ou, pelo menos, pouco prudente. Por isso, quando decidimos com a intuição, a partir do nosso interior, ativamos a culpa. Sentimos que estamos a fazer algo de errado, algo que vai contra. Esta culpa é altamente limitadora, com consequências muito negativas na forma como nos sentimos, no nosso bem-estar e na nossa felicidade. E claro que decidir fora daquilo que é o sistema instituído gera medo. Porque nos retira a segurança de estarmos a decidir com base no protocolo e coloca-nos a agir por conta própria, onde sentimos elevar o potencial de erro, com o qual convivemos tão mal.
Os principais sinais de alarme são dados pelo nosso corpo. Quando a decisão que vamos tomar gera queixas físicas, como febre, dor de estômago, dores de cabeça e perturbações gástricas e intestinais, devemos parar e ponderar. De igual forma, são sinais de alerta a angústia, a ansiedade, as insónias, a irritabilidade, os distúrbios alimentares, os ataques de choro, a tristeza e a falta de vontade para sair de casa ou ir trabalhar.
Sempre que estejamos sob influência de um estado emocional alterado ou numa circunstância limite. Também não devemos decidir na pressão do tempo breve, de algo que nos pedem para já. Temos de estar muito centrados e focados no nosso propósito quando tomamos uma decisão, não cedendo à pressão temporal ou emocional do momento. As decisões que temos de tomar no para já ou no para ontem são todas as que implicam a nossa não sobrevivência imediata. Tudo o resto pode esperar, por muito que nos incutam o contrário. Pior que não decidir é tomar uma decisão à pressa, sob pressão ou debaixo de um estado emocional negativo ou descontrolado.
As más decisões são um dos melhores pontos de cura emocional. Permitem-nos perceber quais as razões que estiveram na origem da nossa decisão e atestar a sua real validade. Por outro lado, permitem-nos ainda perceber onde nos precipitámos, que soluções alternativas tínhamos e porque optámos por não as seguir. Permitem-nos descobrir os medos e os padrões limitadores que condicionaram a forma como decidimos e se estes ainda são válidos para nós. Temos sempre algo a aprender com as decisões que consideramos não terem sido as mais corretas. No entanto, verdadeiramente, não existem más decisões. O que existem são decisões tomadas em função das circunstâncias, do conhecimento e até do desconhecimento que temos em cada momento. As perguntas que (se) deve fazer Antes de tomar uma decisão, há questões que deve analisar com ponderação: – O timing é o ideal? – Sinto-me plenamente auto-consciente do que quero? – Estou focado e a minha visão do problema é clara? – O meu estado psicológico e emocional está equilibrado? – Esta decisão contribui para o meu maior propósito? – Esta decisão foi tomada em sintonia com a minha verdade? – Vai contribuir para o meu crescimento pessoal e/ou para uma melhoria da minha vida? – Vai prejudicar a vida de alguém? As precauções a ter durante uma tomada de decisão: – Esteja aberto à possibilidade de mudar o sentido da decisão, caso as circunstâncias mudem ou se a nossa intuição nos der alertas contrários. – Esteja atento a opções alternativas e avalie-as. – Se se sentir desconfortável ou doente, questione a decisão. – Tome consciência das mudanças que a decisão está a gerar. – Esteja 100% comprometido com o processo. – Não viva na dúvida permanente sobre os resultados finais da decisão. – Se necessário, procure ajuda especializada para garantir que a decisão está a ser implementada da forma mais indicada.
– Assuma a responsabilidade pessoal pelos resultados, sem se culpar e sem culpar os outros ou as circunstâncias. – Analise e compare o nível de ansiedade sentido após a tomada de decisão com o nível de ansiedade prévio à decisão. – Reconfirme a decisão tomada. Faça o follow-up e, posteriormente, a consolidação da decisão tomada. – Agradeça à decisão o que lhe ensinou. – Esteja aberto para tomar novas decisões que ampliem o efeito da decisão inicial ou que corrijam alguns pontos onde a mesma possa ser melhorada. – Anule a possível culpa ou medo relativamente a resultados.
– Clarificam e estabelecem o resultado a alcançar. – Reúnem toda a informação necessária. – Avaliam hipóteses alternativas. – Planeiam os timings da decisão a tomar. – Reúnem os recursos que podem ajudar a decisão a ser a mais correta. – Esclarecem dúvidas. – Analisam oportunidades e ameaças da decisão a tomar. – Visualizam as mudanças que a decisão vai trazer à sua vida. – Permitem-se sentir-se como se a decisão já tivesse sido tomada. – Estão auto-conscientes de onde estão e para onde desejam ir.

Texto: Nazaré Tocha com Teresa Marta (coach para a coragem e CEO da Academia da Coragem)

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