É comum ler estudos e comparações entre a formação tradicional (presencial) e os regimes de formação online; Especialistas da Formação em Sala ou Gurus do elearning e da tecnologia aplicada à formação apresentam estudos, números e interpretações, cada qual com vantagens para os respetivos regimes formativos.

Mas o que pensam as pessoas sobre a aprendizagem por elearning? Qual a opinião de um aluno que frequenta e conclui uma formação em elearning?

Neste pequeno artigo procuraremos dar uma perspectiva da opinião dos formandos relativamente ao que estes mais valorizam numa experiência de formação eLearning.

A opinião dos alunos diplomados num curso final de um curso à distância é um dos instrumentos mais importantes para todo e qualquer sistema de formação (presencial ou não) para analisar o seu sucesso; independentemente de nº de inscrições, médias de conclusão, ou taxas de desistência, são as opiniões e as experiências individuais de cada formando um dos indicadores mais importantes a considerar na avaliação do sucesso da formação.

É no momento de se ouvir o aluno que passamos a saber como foi a sua interação com a ferramentas e recursos pedagógicos, com a metodologia aplicada, como correu a relação com o tutor e com os colegas do curso, com a plataforma tecnológica, com os conteúdos de formação, ilustrando toda a sua experiencia formativa; O que adorou, o que não gostou, etc.

Neste contexto é essencial que o formando possa apresentar a sua opinião tendo em conta 5 grandes eixos: as relações estabelecidas com os colegas, a relação com o tutor, o método de formação, os conteúdos de aprendizagem e por fim sobre a interação com a plataforma de estudo.

Um erro muito comum é pensar-se os formandos de cursos elearning não pretendem aprender ou interagir com colegas; para não cair neste erro basta analisar a opinião dos formandos e suas necessidades; grande parte dos formandos percebe o valor de trabalhar em grupo, desde que estes trabalhos tenham um objetivo claro e interessante e que o tutor seja omnipresente no estímulo e acompanhamento destas atividades de grupo.

Seja por inépcia do método ou do tutor, sempre que um trabalho é pouco claro ou pouco acompanhado pelo formador, o aluno tende a considerar inútil todo e qualquer esforço que exija trabalho e dinamização do grupo , pesquisa, trocas ou partilha de saber.

Para a realização de trabalhos de grupo eficazes, é essencial necessário garantir a OMNIPRESENÇA DO TUTOR (na verdadeira aceção da palavra) a par da PUBLICAÇÃO DAS INDICAÇÕES E REGRAS de como proceder no respetivo trabalho de grupo; garantidos e articulados estes dois aspetos, os formandos entendem as tarefas e subtarefas como interessantes e compensatórias, sob a presença do tutor a organizar e destacar a importância de cada atividade, clarificando os diferentes objetivos.

Os formandos de elearning gostam de conhecer-se e relacionar-se com seus colegas, seja para discutir temas interessantes ou para contrastar a sua opinião com o feedback construtivo do tutor. Efetivamente os formados pretendem aprender, mas procuram estabelecer relações e ser parte de uma comunidade, de uma presença.

Analisando a opinião dos formandos é possível identificar padrões transversais e/ou identificar linhas de tendência.

Comentários dos tutores: os formandos valorizam de forma muito significativa os comentários dos tutores, em particular sempre que se elaboram e personalizam mais os comentários como: “fez uma abordagem muito interessante e completa e identificou os pontos ” ou “…porque não considera também a perspectiva X, afinal X também?”. Pelo contrário, feedbacks standard ou vazios de conteúdo como: “Obrigado pela participação”, “Muito bem” ou “está incompleto” tendem a desmotivar participações futuras e pouco estimulam os demais alunos, não trazendo valor acrescentado à formação.

Sinceridade, encorajamento e reconhecimento: Independentemente da resposta do formando é sempre importante considerar que há algo positivo a realçar num qualquer trabalho enviado por um aluno. Efetivamente os formandos indicam que necessitam da sensação de apoio e encorajamento permanente a par de uma relação próxima com o tutor.

Por outro lado os formandos, o tutor deve ser verdadeiro e ajudá-lo a pensar criticamente, sem nunca ser ofensivo ou rebaixando o esforço despendido em determinada aprendizagem. Efetivamente a crítica não construtiva ou irónica pode ter efeitos nocivos e irreversíveis na continuidade da formação por gerar insegurança e falta de confiança na execução de tarefas e ou atividades pedagógicas.

Conteúdos e ferramentas pensados com e para os formandos: O desenho de uma formação eLearning deverá ter sempre como ponto de partida a visão do formando com a formulação da seguinte pergunta: “Como irá o formando percecionar e interagir com este conteúdo?”.

Não obstante a ser um ponto muito relevante e frequentemente trazido nos questionários de final de curso, raras vezes os formadores e técnicos consideram este ponto; desenvolvendo os conteúdos a partir apenas e só dos seus pontos de vista e do seu contexto, muitas vezes distante dos contextos de aprendizagem dos formandos.

Um tutor ou um autor de conteúdos para elearning só está verdadeiramente empenhado, envolvido e apto para uma formação elearning quando vivenciar ele próprio um (esse) curso elearning sob o papel do Aluno.

Fonte: http://www.educacao-a-distancia.com/o-que-os-alunos-realmente-pensam-sobre-aprendizagem-online/